- O domínio é a tua morada, o alojamento é a tua loja e o servidor é o edifício onde essa loja está.
- Podem estar num só fornecedor ou em vários, e cada um tem o seu custo e a sua renovação.
- O importante: o domínio em teu nome e acesso a todos os painéis.
- Escolher mal qualquer um dos 3 afeta a velocidade, a segurança e a disponibilidade do teu site.
Quando os conceitos se misturam e tu acenas com a cabeça
Estás numa reunião com a tua agência web. O técnico fala em “migrar o alojamento para o novo servidor” e em “levar o domínio para outro fornecedor”. Tu acenas com a cabeça, mas não tens claro o que é cada coisa, quem a gere neste momento nem quanto pagas por cada uma.
Não és o único. Muitos empresários passam anos com o seu site sem ter claras estas 3 peças. E isso sai caro: pagar serviços de que não precisam, depender de fornecedores que não controlam ou perder o site por esquecerem uma renovação.
Este guia dá-te analogias simples para perceberes cada conceito e tomares decisões com critério.
Domínio: a tua morada na internet
O teu domínio é como a morada do teu negócio: é o que as pessoas escrevem para te encontrar, como baqueiro.es/, atuaempresa.pt ou oteunegocio.com. É também o que vem depois da arroba no teu email.
O essencial: o domínio não se compra para sempre, aluga-se. Registas o domínio por um período (normalmente de ano a ano) e tens de o renovar. Tem de estar registado em teu nome, porque quem figura como titular é quem decide sobre ele. Se não o renovares, costuma haver um período de graça que varia conforme a extensão, mas depois o domínio fica livre e qualquer pessoa o pode registar.
Pagas uma anuidade a um registador de domínios: em extensões habituais como .pt, .es ou .com, de cerca de 10 euros a algumas dezenas. Atenção às ofertas do primeiro ano, porque o que importa é o preço de renovação. E o registador não tem de ser o teu fornecedor de alojamento nem a tua agência.
Erros comuns: o domínio em nome do informático ou da agência, a renovação esquecida ou os acessos perdidos ao painel do registador.
Alojamento: o arrendamento da tua loja digital
Se o domínio é a tua morada, o alojamento web (hosting) é a loja onde vive o teu site: um espaço num computador ligado à internet 24 horas por dia, onde estão os seus ficheiros, imagens e bases de dados.
Alugas esse espaço a um fornecedor de alojamento por um preço que vai de poucos euros por mês a centenas, conforme os recursos, o suporte e os extras.
Cada plano tem características concretas: espaço em disco, processador e memória, bases de dados, contas de email, versões de PHP e cópias de segurança. Antes de contratar, deves saber o que inclui. E, como em qualquer arrendamento, se o senhorio não responde quando há uma avaria, tens um problema.
Servidor: o edifício onde está a tua loja
O servidor é a máquina, física ou virtual, onde está o teu alojamento. É o computador que, ligado o dia todo, executa o teu site.
A maioria das PME não aluga um servidor completo, partilha-o com outros sites: é o chamado alojamento partilhado. É mais barato, mas os teus vizinhos podem afetar o teu desempenho: se outro site do servidor tiver um pico ou um problema, o teu pode ressentir-se (os bons fornecedores limitam isso).
Com um VPS (servidor privado virtual) ou um servidor dedicado tens recursos reservados. É mais caro e costuma exigir alguém que o administre, mas é mais estável. Pelo meio estão o alojamento gerido para WordPress ou na nuvem, com mais recursos sem teres de tratar do servidor.
Pensa assim: o servidor é o edifício e o alojamento, o teu escritório. Podes ter o edifício inteiro (servidor dedicado), um piso reservado (VPS) ou um escritório num edifício partilhado (alojamento partilhado).
Como se relacionam os três
Para que o teu site funcione, precisas das 3 peças, mas não têm de estar no mesmo fornecedor.
O teu domínio aponta para o teu alojamento através de configurações chamadas DNS. Funcionam como o reencaminhamento do correio postal: quando alguém escreve a tua morada, os DNS indicam onde está o teu site. Esses mesmos DNS (os registos MX) decidem para onde vai o teu email, por isso uma alteração mal feita pode deixar-te sem email, mesmo com o site a funcionar.
É normal ter o domínio num registador, o alojamento noutra empresa e o servidor físico num centro de dados noutro país europeu. O importante é saberes quem gere o quê e teres acesso a cada painel.
As perguntas que deves fazer
Estas perguntas distinguem os fornecedores organizados dos que improvisam, e vão ajudar-te a ler a proposta técnica sem seres técnico.
“Onde está registado o meu domínio, em nome de quem e quando expira?”
Isto tens mesmo de saber. Pede acesso ao painel do registador. Se não o tens, o domínio não é totalmente teu.
“O que inclui exatamente o meu alojamento?”
Espaço, recursos, bases de dados, email, certificado SSL para HTTPS e cópias de segurança. Tudo deve estar especificado. “Alojamento básico” não quer dizer nada.
“Partilho o servidor com outros sites?”
No alojamento partilhado, sim. Pergunta como gerem os picos de outros clientes. E se te vendem “ilimitado”, lê as letras pequenas: há sempre limites.
“Qual é o uptime garantido e o que acontece se não for cumprido?”
O uptime é o tempo em que o teu site está disponível. 99 % parece bom, mas são mais de 7 horas de inatividade por mês; 99,9 %, menos de 45 minutos. Procura 99,9 % ou mais, com compensação se não cumprirem.
“Onde estão fisicamente os servidores?”
Importa pela latência (a velocidade de resposta) e pela proteção de dados. Se os teus clientes estão em Portugal ou Espanha, um servidor na União Europeia responde mais depressa do que um nos Estados Unidos e simplifica o RGPD. Mais sobre isto em onde ficam realmente guardados os dados dos teus clientes.
Os erros que custam dinheiro
O domínio em nome do fornecedor
Se a tua agência registou o domínio em nome dela, a titular é ela, não tu. Acontece mais do que parece e dá muitos problemas quando queres mudar de fornecedor.
Solução: pede que o ponham em teu nome. Se recusarem, é um sinal grave de má prática. Se estás em plena mudança, segue o nosso guia para mudar de fornecedor web sem perder tudo.
Alojamento “gratuito” incluído
Há fornecedores que te dizem: “o primeiro ano de alojamento é grátis”. O que não costumam dizer: muitas vezes é um alojamento de fraca qualidade e, quando o ano acaba, a renovação fica bastante mais cara ou tens de migrar tudo.
Não ter acesso aos painéis
Se só o teu fornecedor consegue entrar nos painéis, dependes dele para tudo: uma alteração de DNS de 5 minutos transforma-se em dias de espera.
Exige as tuas credenciais e guarda-as num gestor de palavras-passe com autenticação de dois fatores: são tão importantes como as chaves do teu escritório. Aqui tens o mínimo sobre palavras-passe, 2FA e gestores.
Confundir alojamento com manutenção
O alojamento é infraestrutura. A manutenção é trabalho humano: atualizar, vigiar, corrigir. Pagas o alojamento para que a máquina funcione e a manutenção para que alguém cuide do teu site.
Não partas do princípio de que um “alojamento premium” inclui alguém a rever o teu site todos os meses. Aqui explicamos quanto custa realmente manter um site em produção.
Checklist: tens o controlo da tua infraestrutura?
- Sabes em que empresa está registado o teu domínio e em nome de quem?
- Tens utilizador e palavra-passe para entrar no painel desse registador?
- Sabes quando expira o teu domínio e quanto custa renová-lo?
- Sabes que empresa te fornece o alojamento?
- Tens acesso ao painel de controlo do alojamento (cPanel, Plesk ou semelhante)?
- Sabes que plano tens contratado e o que inclui?
- Sabes onde estão fisicamente os servidores?
- Sabes se partilhas o servidor ou se tens recursos dedicados?
- Sabes quem faz as cópias de segurança e onde ficam guardadas?
- Tens um contacto direto para incidentes graves, como o site ir abaixo?
Se responderes “não” a mais de 2, tens um problema de dependência. A solução é simples: pedir acessos e documentar onde está cada coisa.
Quando vale a pena pagar mais
Há casos em que o alojamento barato sai caro:
Se vendes online: precisas de boa velocidade, cópias de segurança frequentes e um suporte que responda depressa, também fora do horário de expediente. Uma hora de inatividade em plena campanha de Natal pode custar-te mais do que um ano de um bom alojamento.
Se lidas com dados sensíveis: precisas de saber onde estão os servidores, que certificações tem o fornecedor e como gere as cópias.
Se o teu site é crítico para o negócio: precisas de um uptime garantido por contrato, com compensação, e de um plano de contingência documentado.
Se só tens um site informativo com pouco tráfego: um alojamento básico pode chegar, desde que tenhas os acessos e cópias de segurança guardadas fora do próprio servidor.
Conclusão: perceber para não depender
Perceber o que são o alojamento, o domínio e o servidor não te transforma em técnico, mas sim num empresário que não depende às cegas do seu fornecedor. E isso, quando surge um problema, é a diferença entre resolvê-lo em horas ou em dias.
Se descobrires que não controlas alguma destas peças, ajudamos-te a fazer o inventário de domínios, alojamento e acessos, e a deixar tudo em teu nome e documentado. Costuma ser uma questão de poucas horas e poupa-te muitos sustos. Escreve-nos e revemos isso contigo.