- Mudar de fornecedor é perfeitamente viável se for bem planeado. O diabo não é tão feio como o pintam.
- Há uma ordem de passos que minimiza os riscos. Saltar um pode sair caro.
- A preparação importa mais do que a execução. A pressa é o erro mais comum.
O medo da mudança
“Queremos mudar de agência, mas temos medo de perder tudo o que foi feito”. Ouvimos isto quase todas as semanas, e é uma preocupação legítima: o site é um ativo crítico.
A boa notícia é que mudar de fornecedor é uma operação habitual para qualquer agência séria. Bem planeada, o risco é baixo e o tempo sem serviço reduz-se a minutos, ou mesmo a zero.
Antes de mais, esclarece o que estás a mudar: de agência (quem mantém o site), de alojamento (onde está alojado) ou as 2 coisas ao mesmo tempo, que é o caso mais delicado e o que este guia cobre. Se ainda tens dúvidas, talvez te sirva ler primeiro como saber se a tua agência atual te está a servir bem. Se já tens a decisão tomada, estes são os 15 passos para uma transição segura.
Fase 1: Preparação (antes de anunciar a mudança)
1. Faz um inventário completo dos teus ativos
Antes de mexer uma palha, responde: o que tens exatamente?
- Todos os acessos: alojamento, domínio, CMS, FTP, email, base de dados e DNS.
- Uma cópia completa do site atual (ficheiros e base de dados).
- A lista de contas de email, aliases e reencaminhamentos.
- As integrações: CRM, email marketing, analítica e gateway de pagamento.
- As licenças de plugins e serviços pagos, e em nome de quem estão.
- A lista de utilizadores administradores.
As licenças são um clássico: muitos plugins premium estão contratados em nome da agência que sai e, quando esta se vai embora, as atualizações deixam de chegar.
2. Verifica a propriedade do domínio
O domínio deve estar em teu nome no registrar. Se estiver em nome do fornecedor anterior, pede a mudança de titularidade antes de qualquer outra coisa. Não é negociável.
Se além disso mudares de registrar, vais precisar do domínio desbloqueado e do código de autorização (authcode), e o processo pode demorar vários dias. Confirma também que o email de contacto do titular é teu: é para lá que vão os avisos de renovação.
3. Faz um backup completo e verifica-o
Copia ficheiros, base de dados, emails e configurações. Depois, restaura-o num ambiente local ou de testes. Se não o testaste, não existe.
4. Escolhe o novo fornecedor e fecha o briefing
Contrato assinado, âmbito definido e prazos acordados. Inclui o que acontece ao código, aos acessos e aos dados se um dia a relação terminar; explicamos isso em cláusulas técnicas que o teu contrato de desenvolvimento deveria incluir.
Como pedir as coisas ao fornecedor que sai
O ideal é ter acessos e cópias antes de comunicar a mudança. Se não for possível, pede tudo por escrito e num único email: acessos de administrador (alojamento, CMS, base de dados e DNS), o código de autorização do domínio se for ele a geri-lo, uma cópia completa e recente, o acesso ao repositório de código se existir e as credenciais de serviços externos.
Respeita o pré-aviso que o teu contrato estabelece, deixa as faturas em dia e mantém um tom profissional. A maioria colabora sem problemas quando o pedido é claro e está por escrito.
Fase 2: Pré-migração (com o novo fornecedor)
5. Prepara o ambiente no novo alojamento
O novo fornecedor prepara o servidor: versões compatíveis de PHP e de base de dados, certificado SSL e cópias de segurança automáticas.
6. Migra os conteúdos em fase de teste
O site é copiado para o novo servidor sem ficar público ainda, por exemplo num subdomínio de testes. É altura de verificar: as páginas aparecem bem? Os formulários enviam? O processo de compra chega até ao fim?
Se a estrutura de URLs vai mudar, prepara agora os redirecionamentos 301 dos endereços antigos para os novos. Sem eles vais perder posições no Google.
7. Configura o email e os reencaminhamentos
Cria as contas de email no novo servidor e, se for preciso, migra o histórico. Atenção: se o teu email está no Google Workspace ou no Microsoft 365, não se muda com o site. Basta copiar tal e qual os respetivos registos DNS (MX, SPF e DKIM).
8. Deixa pronto o plano de mudança de DNS
Define que registos mudam, para onde apontam e quanto tempo vão demorar a propagar-se. Um truque simples: entre 24 e 48 horas antes, baixa o TTL desses registos para 300 segundos (5 minutos). Assim, no dia da mudança, a propagação será muito mais rápida.
Fase 3: A mudança (dia da migração)
9. Congela as alterações no site antigo
Avisa a equipa: nada de publicar conteúdo nem mexer na configuração durante a migração. Escolhe um momento de pouco tráfego.
10. Cópia final e migração definitiva
Faz uma última cópia e leva para o novo servidor as alterações recentes (encomendas, formulários, utilizadores novos). Verificação final: tem de funcionar tudo.
11. Mudança de DNS
É o ponto sem retorno, ou quase: muda os DNS do domínio para apontarem para o novo servidor. Enquanto o antigo continuar ativo tens um plano B, porque se algo falhar de forma grave podes voltar a apontar para ele.
12. Monitorização intensiva
Durante as primeiras 24 a 48 horas, confirma que tudo funciona, que os emails chegam e que o site carrega bem a partir de redes diferentes.
Fase 4: Depois da migração
13. Verificação completa
Testa formulários, reservas, pagamentos, emails, analítica e integrações. Revê também o Google Search Console nas semanas seguintes, caso apareçam erros de rastreio ou páginas não encontradas.
Um descuido frequente: publicar com a caixa do WordPress “Desencorajar os motores de pesquisa de indexar este site” ainda assinalada desde o ambiente de testes. Desmarca-se em 1 segundo, mas esquecê-la pode custar-te semanas de visibilidade.
14. Cancela os serviços antigos (com calma)
Não canceles nada de imediato. Espera 1 ou 2 semanas e confirma que está tudo estável. Antes de cancelar o alojamento antigo, guarda uma última cópia completa.
15. Atualiza a documentação e os acessos
Guarda os novos acessos num local seguro, documenta a configuração e aproveita para mudar as palavras-passe que o fornecedor anterior conhecia e eliminar os utilizadores de administrador dele.
Checklist de migração
- Inventário completo de ativos e acessos
- Backup verificado e funcional
- Domínio em nome do cliente
- Licenças de plugins e serviços em teu nome
- Novo fornecedor preparado
- Site migrado e testado no novo servidor
- Redirecionamentos 301 preparados se os URLs mudarem
- Email configurado e testado
- Plano de mudança de DNS preparado e TTL reduzido
- Data de migração acordada (com pouco tráfego)
- Monitorização pós-migração planeada
- Plano de reversão (rollback) se algo falhar
Conclusão
Mudar de fornecedor web não tem de ser traumático. É uma operação técnica habitual.
A chave está na preparação: saber o que tens, ter cópias verificadas e seguir uma ordem lógica. Se fizeres bem a Fase 1, o resto é quase mecânico.
Na Baqueiro planeamos as migrações com cópia verificada, ambiente de testes e plano de reversão, para que os teus clientes nem deem pela mudança. Se estás a pensar mudar de fornecedor e queres ajuda com o planeamento, conta-nos o teu caso.